As origens da liderança

A forma como grupos de indivíduos se coordenam e agem coletivamente são tópicos importantes para a ciência, no entanto, até há muito pouco tempo, o papel da liderança nesse processo era amplamente ignorado. No entanto ao analisarmos as origens da liderança e do ato de seguir (líderes/seguidores), bem como os aspectos dessa relação partilhados com outros animais, garantimos um superior entendimento do que é a liderança e de como a podemos melhorar.

A liderança foi uma resposta eficaz aos desafios da sobrevivência

Os humanos evoluíram como animais de grupo. Estima-se que o género Homo tenha cerca de 2,5 milhões de anos e, na esmagadora maioria da sua existência, os hominídeos viveram na Savana Africana em pequenas tribos nómadas, maioritariamente constituídas por parentes, como caçadores-recoletores.

Benefícios da vida em grupo

A vida em grupo permitiu aos nossos antepassados lidar com um ambiente muito bem apetrechado de predadores, mas muito mal apetrechado de abrigo, água e comida. A procura de alimento em grupo, a caça coletiva, a partilha de comida, a divisão do trabalho, a defesa do grupo e a parentalidade comunitária, foram as ferramentas que ajudaram a travar as ameaças externas.

A ação coletiva exige comando

A necessidade de ação coletiva levanta a questão de como os indivíduos em grupos sociais decidem ‘o que’, ‘como’ e ‘quando’ fazer. Por exemplo, encontrar comida exigiria que os membros do grupo decidissem e concordassem acerca do local e do timing da atividade.

Problemas deste género, são resolvidos através de um processo de tomada de decisão, em que um indivíduo assume a iniciativa e fornece direção e, em que os outros, concordam e seguem a direção fornecida. Para além deste tipo de decisões, a sobrevivência coletiva e individual também dependia do esforço cooperativo e da coesão do grupo, que são inversamente proporcionais ao tamanho do grupo.

A necessidade de paz no seio dos grupos criou um espaço para um grupo de indivíduos intervir 

Evidência antropológica sugere que a vida nos grupos ancestrais envolvia conflitos constantes, sendo o homicídio algo comum. A necessidade de manter a paz criou um nicho para indivíduos que, com o apoio do grupo, intervinham em conflitos antes que estes consumissem os restantes elementos do grupo.

O conflito e a guerra entre grupos também foram muito importantes para a história da evolução humana. A competição entre grupos pode ter criado pressões para a evolução de uma variedade de características grupais como o altruísmo, a empatia, a moralidade, a identidade social e muito provavelmente, a liderança.

A liderança teve a sua génese em comportamentos de proteção do grupo

Darwin observou ‘uma tribo que incluísse muitos membros sempre dispostos a ajudarem o próximo, e a sacrificarem-se pelo bem comum, sairia sempre vitoriosa sobre as outras tribos’ e, isto seria, segundo ele, um exemplo de seleção natural.

Ficou claro que a obediência de um grupo de indivíduos a um comando central, para além de facilitar a sua cooperação e a sua coesão, aumentava exponencialmente a sua performances em conflitos intergrupais, criando-se assim, um espaço e um papel para a liderança.

Como pode verificar, a liderança, tem uma longa história evolutiva. Emergiu como uma solução ótima para desafios específicos de coordenação – movimentação do grupo, conflito interno e competição com outros grupos.

A liderança eficaz promove o desenvolvimento dos indivíduos 

A história demonstra, sem qualquer dúvida, que a aptidão e a performance individual é aperfeiçoada quando se vive em grupos com uma liderança eficaz. Como um teste à observação de Darwin, imagine dois grupos de humanos antigos a viverem na mesma região e a competirem pelos mesmos recursos. Um dos grupos é caracterizado por tomar más decisões em grupo e por um elevado nível de discórdia interna. O segundo é caracterizado por uma eficiente tomada de decisão em grupo e por uma elevada coesão interna. Ao longo do tempo, inequivocamente, será o segundo grupo a prevalecer.

Com tantas vantagens ao nível da sobrevivência, os mecanismos psicológicos que suportam a liderança, acabam por se propagar facilmente por uma população inteira.

A partir destas evidências é fácil perceber porque há tanto desconforto em relação a algumas chefias.

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