Como não desmotivar as pessoas

Na esmagadora maioria das empresas, a motivação dos colaboradores, continua a ser estimulada por factores extrínsecos. Recompensas e sanções, podem ter alguma eficácia no curto prazo, no entanto, a longo prazo acabam por conduzir as pessoas a comportamentos incorretos e por lhes destruir “as ganas”, o seu ímpeto interior. É muito mais fácil libertar a paixão e a dedicação dos colaboradores se o gestores tiverem em atenção que os mais poderosos motivadores já estão dentro deles.

As recompensas condicionais ‘se-então’ estão a destruir a motivação das pessoas

Equipas de gestão ultrapassadas, com sistemas condicionais de recompensa se-então [se fizeres isto – então tens aquela recompensa], fomentam a passividade e letargia nas equipas.

Entusiasmo, uma característica inata dos primatas

Até ao ano de 1949 era assumido que o comportamento humano e animal era conduzido apenas por impulsos internos (sobrevivência) e motivações externas. Nesse ano, o professor de psicologia Harry Harlowe fez uma descoberta que contrariou esta teoria: deu um puzzle mecânico a oito macacos Rhesus. Como os primatas não iriam receber qualquer recompensa por resolverem o puzzle, ele estava convencido de que não se iriam esforçar muito para o solucionar.

Ao contrário das expectativas, os macacos investiram mesmo no puzzle, perceberam como funcionava e, sem qualquer incentivo externo, solucionaram-no com grande entusiasmo. Este tipo de comportamento é típico dos humanos também.

O intrigante sucesso da wikipedia

O desenvolvimento da enciclopédia online Wikipedia é bastante intrigante. Dezenas de milhares de pessoas escrevem e editam diariamente artigos para a Wikipedia por puro prazer. Investem tempo valioso nessas tarefas e não recebem qualquer recompensa material em troca. Apesar do crescimento da Wikipedia estar dependente de escritores voluntários, o projeto é um enorme sucesso. Por contraste, o produto rival, a Microsoft Encarta, cujo desenvolvimento esteve nas mãos de autores e editores extremamente bem pagos, acabou por não ter sucesso.

Como explicar uma motivação que não é impulsionada por necessidades básicas nem por recompensas e sanções?

Tanto no exemplo dos macacos Rhesus, como no da Wikipedia, a motivação não é impulsionada por necessidades básicas nem por recompensas ou por sanções.

A maior força que nos impulsiona é intrínseca. Quando alguém encontra um trabalho gratificante – se as suas necessidades básicas estiverem asseguradas com a sua remuneração base -, nenhuma recompensa adicional é necessária. A satisfação de conseguir programar uma aplicação como o firefox, de editar artigos para a wikipedia ou de publicar, por exemplo, receitas de culinária na internet para que outras pessoas possam beneficiar é, frequentemente, motivação mais do que suficiente.

São necessários mais comportamentos de feedback e de elogio

Para esta mudança ser concretizada, é necessário que as chefias retirem o foco das recompensas condicionais e comecem a dar mais atenção às pessoas. O elogio espontâneo e o feedback construtivo são comportamentos fundamentais para o desenvolvimento da motivação intrínseca, pois fazem com que os colaboradores se sintam mais estimulados e reconhecidos e se divirtam mais enquanto trabalham.

A autodeterminação promove a motivação intrínseca

Colaboradores que têm uma palavra a dizer no processo de tomada de decisão das suas empresas, tornam-se mais motivados intrinsecamente. Mais importante ainda: se a importância do seu trabalho for visível na performance global da organização, vão sentir que as suas ações têm significado, aumentando ainda mais o seu nível de compromisso.

A procura da perfeição conduz a um estado de total imersão nas tarefas

A procura da perfeição é satisfeita através da alocação equilibrada das tarefas: a cada colaborador são atribuídas tarefas com um nível de dificuldade que o estimule e desafie as suas habilidades, mas que não seja exigente ao ponto de o desmotivar. Com este tipo de atenção das chefias, é possível observar equipas e indivíduos e a desenvolverem-se continuamente e a fazerem história.

A procura de um sentido para o que fazemos é um ímpeto exclusivamente humano

Transmitir às pessoas o propósito nobre da organização, conectá-las com causas sociais ou ambientais ou mesmo envolvê-las diretamente em voluntariado, são grandes motivadores. Poucas coisas têm tanto impacto no compromisso dos colaboradores como saberem que trabalham em empresas responsáveis social e ambientalmente e que o seu  trabalho diário tem um impacto positivo na vida dos outros.

A mudança está mesmo ao virar da esquina 

Todos os gestores modernos, atualizados e com poder de decisão devem questionar as recompensas existentes e promover a autodeterminação, incentivar a busca pela perfeição e ajudar a estabelecer objetivos com significado. Como resultado, em vez terem colaboradores que levam apenas o corpo para a empresa para cumprir o horário de trabalho, terão pessoas altamente comprometidas, dedicadas, felizes e produtivas.

Marco Meireles

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